terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Sonho


Estava na fila de uma padaria, esperando a grande hora da fornalha de pão quentinho sair, lembro-me que o dia estava chuvoso, um friozinho, estava cansada do serviço, queria chegar em casa logo e comer um pãozinho com manteiga e um café com leite bem quentinho, deitar e dormir.
Mas acho que várias pessoas pensavam como eu, estava lotada, já era tarde e era a última fornalha que saia aquele dia. Estava na fila quando uma senhora muito gentil pediu para passar na minha frente, pois a fila era preferencial ( concordo plenamente em filas preferenciais, mas ela não tinha nem 50 anos) fui educada e concordei, o pessoal que estava atrás de mim ficaram nervosos, reclamaram e começaram a insinuar frases para mim, aguentei quieta, com vergonha e vermelha, afinal, só queria meu pãozinho com manteiga.
Passado uns 10 minutos o balconista chega e avisa que irá demorar um pouco mais, o pessoal na fila começou a reclamar, todos que tinham direito a fila preferencial começaram a passar na frente, uma loucura, teve uma mulher que estufou a barriga e falou, estou grávida de três meses, tenho direito também. Nessa eu era a quarta pessoa, e fui para o final da fila. Mas não queria estragar meu resto do dia com bobagens, deixei passar e fiquei quieta novamente, olhando os produtos da prateleiras, que na verdade parecem deliciosos, mas quando compramos não tem gosto muito bom ( acredite, porque já comprei). A essa altura, um jovem rapaz (muito bonito por sinal, estilo Jacob com uma mistura de Edward da saca Crepúsculo) puxou conversa comigo, falou que eu estava certa em deixar a senhora passar, que o pessoal da fila não entende, e começou a ser muito simpático, uns dois minutinhos de conversa e ele me contou que estava vindo da casa de uns amigos porque ele estava muito deprimido a namorada dele tinha dado um fora nele ( ai, eu toda carente, fiquei ouvindo com toda compaixão) e ele dava a entender que estava me paquerando (naquela hora, até o cansaço foi embora). Contou que morava com a avó pois ela ficou viúva e sozinha e ele ficou preocupado, largou aonde morava e foi ficar com a vó (não é um sonho de homem?) Nisso o pão chegou e eu nem liguei... a fila começou a andar, ele falou mais algumas coisas e perguntou se eu morava perto para marcamos um dia para tomarmos um suco ( ele falou suco, acredita, ai, meu sonho, e nem estava na prateleiras e sim, do meu lado) nisso ficou com cara de preocupado porque a vó dele tem que tomar a medicação e ele havia se distraído com os amigos e esqueceu da hora, eu gentilmente falei, nossa passa na minha frente. Sabe o que ele falou ? - Minha avó adoraria uma neta assim (gamei).
Chegando a vez dele, ele cumprimenta o balconista como amigos de colégio, e fala, quantos pães tem? Porque vou levar tudo, a galera esta esperando com a carne na brasa e a cerveja gelada, que horas você vai colar lá?
Veio um filme rápido na minha cabeça que ele chegara a pouco, não estava na fila, e veio puxar assunto comigo.
Resultado, o pão acabou, escultei algumas reclamações e piadinhas do pessoal de trás, estava com fome e pedi então um sonho mesmo ( o da prateleira ) porque o cara saiu e nem deu tchau.
Cheguei em casa, percebi que esqueci o leite, comi o sonho que estava velho e sem gosto, com um suco que estava na geladeira a uma semana.
E pensei: Homem gentil, carinhoso, carente e ainda por cima uma mistura de Edward e Jacob, só em SONHO mesmo.

Psiquê.

Quer um conto? Eu conto!
Gostou? Passe para frente. Tem críticas, sugestões, reclamações ,informações, ideias me passe um e-mail.
cronicas_psique@hotmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário